11 CURIOSIDADES sobre a Dança do Ventre que você precisa saber.




1. A palavra dança do ventre, ou melhor Danse du Ventre, surgiu com os franceses no processo colonial no séc XIX, o que nos leva a conclusão que a dança do ventre como conhecemos hoje não é uma dança do ventre milenar pois sofreu inúmeras modificações pelo olhar orientalista dos europeus. Olhar este de colonizador, machista, misógino, preconceituoso e radical.


2. A dança do ventre é muito ampla e com inúmeras raízes. Uma de suas raízes principais é cigana, o que nos leva a considerar que sofreu muitas influências de diferentes culturas antes mesmo da colonização européia no Egito. Inclusive uma influência forte das danças indianas.


3. Ghawazees eram dançarinas ciganas de rua que realizavam movimentos com os quadris em suas performances. Foram elas que os europeus viram na rua e deram o nome de sua dança de dança do ventre. Mais tarde muitas foram levadas para serem expostas em feiras mundiais, ou caçadas, mortas, ou submetidas a entretenimento masculino.


4. Awalem eram mulheres que performavam nos haréns, consideradas cultas, altamente respeitadas por seus talentos como dança, música, poesia entre outros. O que pouco contam é que elas aprendiam escondido movimentos com as ghawazees na rua para aprimorarem suas habilidades, mas que por sua posição diante a sociedade, jamais poderiam contar isso a ninguém. *Este tópico eu não consegui nenhuma referência bibliográfica, mas aprendi com professoras respeitadas no meio bellydance.


5. A dança do ventre não é uma dança exclusivamente de mulheres. Ao longo dos tempos o olhar machista e patriarcal tentou apagar a presença de homens, afeminados ou não, na história da dança. A então conhecida como dança do ventre, por ser uma dança sinuosa e/ou com movimentos impactantes na região dos quadris, é considerada uma dança de mulheres, uma dança feminina. Um homem que dançasse tais movimentos só poderia ser um homem afeminado, o que fere a sua masculinidade e a imagem do que é ser homem imposta pelo sistema machista.

Contudo a dança ao longo da história da humanidade, seja ela dança do ventre ou não, nunca se conteve dentro de um único gênero. Basta um pouco de pesquisa que encontrará a presença de homens (afeminados ou não) em inúmeras modalidades de dança desde os primórdios da humanidade.

6. Khawal era o nome dado a dançarinos de “dança do ventre” que dançavam nas ruas assim como as ghawazzes, mas este termo era um termo pejorativo que se refere a um homem gay passivo. Sempre são retratados como, homens que dançavam vestidos de mulher.


7.Köçek também são bailarinos turcos treinados desde criança para o entretenimento através da dança e outras habilidades artísticas. Também são retratados como homens dançarinos travestidos de mulheres.


8. A roupa de duas peças na dança do ventre também é fruto do olhar sexista e da objetificação da mulher. Diferente das apresentações realizadas pelas ghawazees nas ruas do Egito, após a dança do ventre chegar no ocidente ela foi submetida quase que única e exclusivamente ao entretenimento masculino em clubes, cabarés e restaurantes. É comum até hoje encontrar relatos de bailarinas que os proprietários dos estabelecimentos exigem que mostrem mais o corpo para cativar seus clientes. E aquelas que não mostram, são despedidas do emprego. Contudo na atualidade inúmeras bailarinas e inúmeros bailarinos estão conseguindo resgatar o olhar da dança e levá-lo ao seu lugar de origem. Mas também permitindo a liberdade de cada praticante do estilo, escolher sua linha de trabalho sem julgamento.


9. A cantora Shakira e a personagem de Giovanna Antonelli, Jade da novela “O Clone”, contribuíram para um aumento da popularidade da dança do ventre no Brasil. Se hoje grande parte dos brasileiros sabem o que é uma fração da dança do ventre, devemos também a elas.


10. Grande parte dos acessórios usados hoje em dia na dança do ventre não tem origem há 4 mil anos atrás na história da dança. Nascem a partir do momento que a dança do ventre se transforma em uma arte de entretenimento em casa de shows, cabarés, circos ou arte de rua para cativar o olhar dos espectadores ocidentais no século XIX. Muitas das vezes os acessórios eram usados para chamar a atenção do público em troca de dinheiro, tendo em vista que a fonte de sustento do artista é a sua performance. Entra uma regra que talvez esteja em destaque até hoje: Quem chama mais atenção leva mais dinheiro pra casa.


11. Dança do Ventre não dá barriga! A dança do ventre é uma modalidade de dança que trabalha o corpo e a mente. É uma atividade física e é excelente para quem quer se movimentar e imergir em outra cultura. A ciência e a medicina já comprovaram inúmeros benefícios da modalidade para os praticantes: Perda de calorias, ganho de flexibilidade, aumento da força muscular, aumento da concentração, aumento da coordenação motora, aumento da consciência corporal, percepção musical (rítmica e melódica)... Esses são alguns dos inúmeros benefícios que a prática da modalidade nos traz. Mas já que estamos falando de barriga: a dança do ventre é uma modalidade excelente para o fortalecimento do core como um todo. Mais especificamente; bíceps femoral, transverso abdominal, multífidos, adutor, eretor da espinha, oblíquo interno e externo, iliopsoas, glúteo máximo e reto abdominal.


Me conte aqui nos comentários se você gosta de publicações assim e se quer a parte 2!


É importante ressaltar que ainda há estudiosos, historiadores, antropólogos, pesquisadores da dança do ventre, concluindo suas pesquisas. Inclusive, eu. E que não possuo nenhum diploma na área de história, antropologia, sociologia, egiptologia. Mas tenho sempre a preocupação de levar conteúdo embasado com uma maneira simples de comunicação. Contudo se não quiser acreditar em minhas próprias pesquisas e visão, você pode realizar sua própria pesquisa ou procurar um profissional que ache mais capacitado. É muito difícil afirmar muita coisa sobre a dança do ventre, tendo em vista que foi pouco documentado ao longo da história e o que foi documentado também tem um olhar distorcido e cheio de preconceito, machismo, misoginia e também com algumas interferências religiosas.

Seguem aqui referências que inspiraram as 11 curiosidades além do meu próprio olhar e pesquisa.


Pesquisem livros e trabalho de: Edward William Lane Will Roscoe Anthony Shay Edward W. Said Barbara Sellers-Young Marcia Dib Marika Tiggemann Emily Coutts Levina Clark.

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo