A FAMA na Dança do Ventre • Verdade seja dita!


Hoje eu quero compartilhar com vocês uma visão que venho montando ao longo de 11-12 anos no universo bellydance. Uma visão sobre a FAMA.

Eu quero começar contando uma história que aconteceu comigo, mas que por mais simples que seja eu reflito sobre ela até hoje.

Certa vez, no intervalo de almoço de um dos meus cursos intensivos, uma aluna e amiga veio me falar que estava contando para sua aluna sobre o curso e o quanto estava achando legal o curso intensivo.

Quando ela disse para sua aluna que um dia pegamos o metrô e fomos almoçar em um local mais distante, a aluna dela parou e disse: - Espera, como assim metrô? O Lukas Oliver anda de metrô? Essa minha aluna, respondeu que sim, que eu era uma pessoa comum srrsrsrs

(Não estou citando o nome dessa minha aluna e amiga aqui no texto, pois não gosto de ir citando nomes sem saber se a pessoa autoriza. E eu sempre escrevo no ímpeto da inspiração, então não vou pedir autorização e esperar a resposta... Até lá, perdi o tesão de escrever rsrsrs. Com certeza se ela ler esse texto ela falará nos comentários hehehe )

Bem, continuando. Quando ela me falou isso eu fiquei tão surpreso com a pergunta que a aluna dela fez.

Veja bem, talvez essa pessoa me admire (por cargas d'água eu não sei na minha cabeça), ela idealizou uma imagem minha. E aí mora um risco enorme. hehehe Eu penso que; para que eu não ande de metrô, no mínimo ela pensou que eu era tipo um ator global, que ao chegar em algum lugar é escoltado por seguranças rsrsr Ou talvez menos; pensou que eu tinha pelo menos um carro kkkk

Enfim, eu não a culpo por essa visão. Pois tenho total clareza que tenho uma grande responsabilidade sobre a visão que as pessoas tem de mim. Uma das coisas que percebi ao longo dessa jornada bellydance é que há uma certa ideologia do que é ser bellydancer. E a gente ao entrar no meio, vai sendo "contaminado" por essa ideologia. •Figurinos cravejados de cristais e que não se repetem. •Acessórios importados. •Lenços super bordados. •Sempre apareça maquiado. •Vá a eventos e comporte-se como uma estrela de hollywood, mesmo com a tarifa do cartão vencida sobre a mesa. •Sorria, sempre sorria. •Tenha as melhores fotos e os melhores vídeos. •Esteja entre os mais conhecidos, custe o que custar.

Eu poderia listar inúmeras regras ilusórias aqui. (Eu disse ilusórias, falamos disso em outro texto) E antes que alguém me critique; eu não sou contra quem tem essa linha de trabalho. Acredito que a regra básica da vida é: Estou feliz, satisfeito e vai me trazer resultados positivos? Estou disposto(a) a pagar o preço? Sim? Então pronto, seja feliz.

Mas venho através deste texto, puxar uma reflexão sobre a responsabilidade que temos ao ir aceitando essas ideias.

Hoje é bem claro para mim. A maneira com que eu me apresento, é a maneira (quase que 100% das vezes) que as pessoas vão construir uma imagem sobre mim.

Sabe gente, eu tive um grande presente da vida de ser um dos professores de uma grande escola de dança do ventre no Brasil, a Shangrila House. A Lulu e Michael (ex proprietários da Shangrila) foram e são para mim pessoas que sem eles nem metade do meu caminho na dança eu tinha percorrido. Eles me acolheram assim que cheguei em São Paulo e me deparei com a realidade de não ter onde morar. Apostaram em meus talentos e me deram em troca de trabalho, casa e uma sala para desenvolver minhas habilidades. Tenho uma dívida enorme com eles (dos dois sentidos rsrs) Eu morei na Shangrila em um quartinho no subsolo durante todo o período que vocês viam fotos impecáveis minhas aqui nas mídias. Eu troquei muitos favores para conseguir cumprir essa ideologia do ser Bellydancer no Brasil.

E sendo homem em um universo majoritariamente, uma das únicas saídas que eu encontrei para que meu talento fosse notado, era sendo o que todxs esperavam que eu fosse. Um divo com aquele plus na feminilidade. Tentar chegar a perfeição. Eu sinto que muitas vezes eu agradei muito , quase encostei na perfeição dessa ideologia. Mas sempre deitava no meu cochãozinho no chão, no muquifo da shangrila e refletia sobre a verdade. ( Sim, muquifo, caverna, buraco, porão, era assim que muitas pessoas chamavam onde eu morava. Talvez por sempre manter fechado, para ter um tiquinho de privacidade)

Nesse quartinho eu pude perceber que o simples fato de não ser um grande divo, andar com apple nas mãos, sempre repetir figurinos e não ficar babando ovos por espaço na dança. Bem, eu percebi que meu trabalho exigiria o quádruplo de esforço.

No meio dessa história eu conheci o grande amor da minha vida que tive e ele me ajudou a estruturar esse Lukas pika das galáxias. Juntos fomos desenvolvendo nossas habilidades. E ambos apaixonados pela beleza das imagens, fomos apresentando um Lukas Oliver sempre muito bem produzido.

Acho que um Lukas Oliver que eu gostaria de ser. Bem, dizem que todos artistas tem um personagem que gostariam de ser neh. Como dizem? Um alter ego.

Mas a verdade minhas caras, é que eu sempre fui uma pessoa simples e comum, com sonhos e vontades no meu coração de mostrar ao mundo a paixão pela dança, música, arte e vida que tenho.

E neste percurso eu me corrompi. Corrompi a minha simplicidade. E eu, logo eu que sempre preso pela verdade na dança e na vida, mesmo que ela doa. Bem, eu criei um alter ego que me possibilitou ser notado e trabalhar com a dança hoje.

Sou muito grato pelo Lukas Oliver existir na minha vida, pois ele me resgata de cada uma. Mas o motivo de pensarem que eu não ando de metrô, é dele heheheh Ele diva de mais hahahaha

Eu com meus(minhas) ídolos(as) adoro pensar que são pessoas comuns como eu. Isso me ajuda a simplificar o caminho para alcançar objetivos próximos a realidade delxs. Como também humaniza elxs e permito a serem artistas. Permito a eles agradarem muitos e também cometerem erros e desagradarem. E permito elxs, andarem de metrô. hehehe

Metade das pessoas desse face, provavelmente vão embora depois deste texto. Mas tenho resgatado aqui, na mesinha improvisada na casa dos meus avós, a simplicidade do amor genuíno que me moveu a correr atrás da dança, da música e da arte.

E vou pagar o preço dessa verdade.

Pra resumir, tenhamos sempre em mente:

Fama é diferente de sucesso! Fama é ilusória uma projeção do artista e do espectador. O sucesso ninguém te tira, ele envolve excelência. Você pode estar phudidx no mundo físico, mas se for competente e tem talento, você tem sucesso. Ele sim te leva longe. E no final das contas é ele que coloca o pão de cada dia na mesa hehehe

_____________________________________________

Textão bem coração hoje néh gente! Mas como sabem, se não for intenso como sou, nem sento na cadeira. hehehe

Tenham um excelente dia! E lutem sempre pelo sucesso, não pela fama! Ela só é mera consequência.

0 visualização0 comentário