DEPRESSÃO • TENDA TRIBAL • E A MUDANÇA DO NOME "TRIBAL"



Hoje vou abordar um tema que pode também ser considerado polêmico. rsrs

Afinal de contas, em um país tão puritano, tradicionalista, politicamente correto e conservador quanto o Brasil, qualquer coisa é polêmica.

(Já deu pra sentir o climinha néh? Aquele climinha escorpiônico gostoso, mas que assumo inteiramente a responsabilidade do meu texto).

Bem, eu tenho um curso chamado Jornada Tribal.

A jornada tribal começou a ser desenvolvida em meados de 2019, mas foi lançada oficialmente no início da pandemia, em 2020.

Em 2019, no exterior, iniciava-se uma discussão sobre o uso do nome "tribal" nos estilos então conhecidos Tribal Fusion e American Tribal Style. Além de outros estilos descendentes que usavam nos seus nomes a palavra "tribal".

Bem, até então, em 2019, eu passava por uma crise econômica, depois de ter feito um evento tribal, que arrombou meu rabo financeiro, em março desse mesmo ano.

Poucos sabem mas o meu evento Tenda Tribal, que lutei para ser lindo para todxs e foi, também foi o início de um processo depressivo que só hoje, 17/02/2022, me sinto curado para falar sobre. Contudo, conto em uma outra oportunidade.

Observe bem o nome do evento. Ele carrega a palavra tribal assim como do meu curso.

Para resolver o arrombo e pagar todas as profissionais eu criei inúmeros cursos.

Abri meu Studio Naja do core, com inúmeros horários disponíveis e ainda arrumava forças para gravar as aulas da Jornada Tribal e os cursos intensivos de 8 horas direto dos domingos.

Mas acredite, o que mais me movia a fazer tudo isso e me sustentava, também era o amor pelo estilo TRIBAL.

Nesse processo de trabalhar bastante, eu fui me apaixonando mais pelo estilo e colocando mais de minhas pesquisas, tanto teóricas, quanto práticas, dentro das minhas aulas.

Eu estava em contato com um Lukas que eu amo. O Lukas professor de dança do ventre e tribal fusion.

Eu fazia e faço questão das minhas aulas serem recheadas de informações, pesquisas e estudos minuciosos de acordo com os temas que são trabalhados aula a aula.

Ao ouvir o lapso da discussão sobre o uso do nome "tribal" eu já me afundei em pesquisas para formar minha linha de raciocínio e tomar uma decisão no futuro.

Eu fui melhorando minha metodologia, meu studio foi tomando forma e ganhando credibilidade no ensino da modalidade, fui quitando as dívidas com os professores do evento e conseguindo manter a vida financeira estável e tocando o barco com esforço, mas tocando.

Quando penso que não, o que eram comentários e discussões sobre o nome do estilo, começa a a tornar-se ação.

Com tantos dedos apontados para as precursoras dos estilos, elas começaram a mudar os nomes e criarem nomes individuais a sua própria dança.

Agora vamos fazer uma pausa emocional no texto e vou trazer um olhar mais técnico.

Bem, quando algo ou alguém recebe um nome, isso acontece para que haja uma identificação.

Se alguém perguntar para você: Você conhece o Lukas?

Você pode responder: Conheço inúmeros Lukas, de qual está falando?

O Lukas Oliver.

Aí o nome vai ser ligado à pessoa e todo o peso, história, caráter, relevância daquela pessoa vem como lembrança, quando seu nome é dito.

Isso se chama: Marca.

Quando eu falo: Ballet.

Imagens, sons, lembranças, cheiros, vivências, estudos, pesquisas...

Tudo relacionado ao nome que você já vivenciou, tudo isso vem em sua mente.

Esta palavra, "ballet", é a "marca" da modalidade.

Por mais que existam inúmeras escolas, métodos e abordagens diferentes.

Quando você vê o nome, ou alguém dançando, você sabe que é ballet.

Agora imaginem se de repente, dizem: Ballet não pode mais se chamar ballet pois descobrimos um motivo plausível para a mudança do nome.

Mas ao mesmo tempo, não é substituído outro nome de identificação que faça jus as todas as características, lembranças, estudos, vivências que aquele nome carrega.

Corra você pra entender o porquê, pra quê e como chamar agora...

Bem, com a palavra "tribal" aconteceu isso. E veja bem, antes que as linguas ou dedos cortantes comecem a ceifar o real significado do que estou dizendo.

Eu digo: Eu não estou colocando em questão a atitude da mudança do nome.

Se tiver 2 pontos de QI já dá pra entender o que estou dizendo.

Voltando ao emocional....

Primeiro evento de grande porte: Tenda Tribal

Primeiro studio de dança: Studio Naja, estúdio dedicado a dança tribal.

Primeiro curso online da modalidade: Jornada tribal

O estilo que consolidou minha mísera carreira de 12 anos na dança do ventre e permitiu eu adentrar espaços no mercado, antes inabitáveis: Tribal Fusion.

De repente, todas as percussoras mudando os nomes.

Todos os praticantes também.

E a pressão da mudança para um nome que significa qualquer coisa misturada com dança do ventre.

Bastou o meu raso conhecimento em empreendedorismo na época e marketing, para entender que essa simples mudança, arruinaria com as possibilidades de trabalhar com o estilo.

Sem uma liderança, sem um sindicato, sem um motivo profundo de caso.

O que aconteceu?

O estilo tribal, morreu.

E está morrendo a cada dia.

Fusion Bellydance: Fusão com dança do ventre, seria a solução.

Até que começaram as discussões que a palavra dança do ventre, também deveria ser modificado. (Existem milhares de motivos realmente plausíveis pra isso)

Final de 2019, os primeiros indícios que a pandemia estava começando.

Janeiro 2020: Junto com a baixa de matrículas começam os noticiários avisarem sobre o fechamento dos estabelecimentos em outros países.

Fevereiro 2020: Metade das minhas alunas do Studio, não retornaram.

Março 2020: 5 alunas não sustentam um aluguel de R$2400,00, quiçá as contas extras.

Mudar o nome do studio naquele momento já era o menor dos problemas.

A solução, dar mais ênfase no online.

Foram meses para que entendêssemos o que estava acontecendo no mundo e começarmos a acreditar que era possível aprender online.

Já se sentiu completamente perdido, mas tendo a obrigação de ter que tomar uma decisão?

Pois é, você começa a dar tiro para todos os lados. Vez ou outra mata alguém.

Mas o pior é quando você não quer matar ninguém, e a arma está apontando para você.

A sua e a de todos que esperam um posicionamento seu.

Meus cabelos caíram. Depressão.

Descubro doença autoimune.

Depressão.

A única bala que eu tinha, era a bala " foda-se"

Foda-se para o nome tribal.

Foda-se o Studio.

Foda-se as minhas dívidas e as cobranças.

Foda-se tudo.

Outubro de 2020: Foquei na Jornada Tribal e no meu curso de Dança do Ventre Power Shimmy.

Consegui recursos para uma locação na mata, na Serra da Mantiqueira.

Sozinho, isolado, eu, a natureza, as medicinas e meus guias.

Gravei sozinho o nível 2, com uma qualidade de informação maravilhosa, mas sem equipamento, a qualidade do vídeo PARA MIM é apenas aceitável. (Quero regravar rsrs)

Eu adoraria que a história fosse como de uma pessoa, dançarino, nascido no berço de ouro, que com 1 curso paga 2 câmeras canon 8D, iluminação profissional, o celular do ano e o computador da maçanzinha.

Mas não gente!

É a história de um fodido mesmo que corre atrás dos seus sonhos, sozinho!

E que sim, eu escolhi ressignificar a palavra "Tribal" para mim e minhas alunas.

Mesmo sem minhas alunas saberem, elas me mantiveram vivo, sem apertar o gatilho. SEM APERTAR O GATILHO! Vocês são phodda!

E me deram forças pra lutar pela raiz técnica do estilo tribal fusion.

Muitas alunas viraram amigas, família. Nos confortamos. Nos abraçamos quando estamos juntos. Ajudamos uns aos outros e trabalhamos para aumentar a família.

Isso pra mim é tribo.

Quer dizer que eu não entenda todo os motivos para a mudança do nome?

Não. Eu entendo perfeitamente.

Mas Fusion Bellydance, não traz pão pra minha mesa e não significa nada para mim.

No dia que eu estiver na posição de casa própria, carro, internet 5g no meu Apple, condições pra ser vegano e organizar cursos na Ilha Bela, com as inscrições a 2000 dólares, usar meu lenço de quadril Assuit e meu brinco for banhado a prata com um rubi lapidada no centro. Aí talvez eu possa me dar o luxo de abandonar o nome que me sustenta e que paguei caro para ser referência mínima dentro dele.

Enquanto isso não acontece, eu junto meus recursos pra pagar o pão de cada dia, lutar pelos meus sonhos, e fazer aulas online com povos originários e ciganas.

Sim, eu faço aulas online com pessoas que moram no deserto. Papo pra outro texto, mas que planta uma semente aqui, pra saber se mudar o nome, muda a prática apropriadora de quem o portava, ou se é só pra estar como : Senhores e senhoras da razão.

Bem, a Jornada Tribal está aí.

È um curso bem foda! Com amor, carinho, estudo, dedicação, qualidade de edição sangue e suor.

É um curso real.

Se tiver a fim de conhecer e vir pra família. Sabe que é só escrever. <3

(Sim, estou vendendo meu peixe!)

Éh gente! Nem só de glamour nas fotos é Lukas Oliver. hehehe

Obrigado por ler até aqui! Te amo viu!

E obrigado pelo apoio, conexão, abertura e busca da compreensão real das minhas palavras.

Ahoo! <3

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